segunda-feira, 6 de maio de 2013

E quando sou o quanto de mim?

E estava eu a querer saber demais.
No mundo que orbita num simples segundo.
Esculpido em muito que sei.
Tingido em muito que não sei.

Visto que sou água. E sede.
Visto que sou fogo.  E frio.
Visto que sou irmão. E inimigo.
Visto que sou começo. E fim.

Onde hoje, logo será amanhã.
E importante, um dia foi ontem.
Onde lágrima, logo será riso.
E distante, um dia será passado.

Visto que sou raiva. E calma.
Visto que sou pó. E eterno.
Visto que sou homem. E animal.
Visto que sou mar. E montanha.

Onde coragem nasce do medo.

E imaginar que é a vida é sonho.
Onde sonho é mera ilusão.
E imaginar que este pode ser meu último suspiro.

Visto que sou alvo. E arma.

Visto que sou mistério. E tédio.
Visto que sou todos. E ninguém.
Visto que sou alma. E carne.

Onde tudo depende de quanto. Quando. Onde.
E hora sou uma coisa e, de repente, coisa nenhuma.
Onde para ser livre, tem de estar preso.
E para entender a felicidade, tem de ser triste.





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