segunda-feira, 27 de maio de 2013

Obrigado#2

Eu corro dessa estrada pra esquecer do que se foi.
O teu sorriso amargo é um quadro negro que eu apaguei.
É preciso dar a cara, dar um tapa, dois ou três.
Pra enxergar a incerteza do futuro que você não quis.

E não me venha, não, com a sua indecisão
Dizendo que esse mundo é cão
Eu só vim pra te dizer
Que aqui você não tem mais vez

E não me venha, não, com sua insensatez, 
Amor de filme burguês
Eu só vim pra te dizer
Que aqui você não tem mais vez

Suas palavras suspirando a sutileza de um choro inglês
Eu quero um salto, frio na barriga, whisky escocês
Explodir minha vontade infinita de te ver além
Do abstrato mais intenso que nem sei se posso entender

E não me venha, não, com a sua indecisão
Dizendo que esse mundo é cão
Eu só vim pra te dizer
Que aqui você não tem mais vez

E não me venha, não, com sua insensatez, 
Amor de filme burguês
Eu só vim pra te dizer
Que aqui você não tem mais vez

terça-feira, 21 de maio de 2013

O teu veneno

Nos teus braços fui objeto e não gente.
Seu veneno inconsequente
Ainda corre em minhas veias quentes
Mas só por enquanto

Pois vou espremer minhas lágrimas
Até secarem os olhos
Que seja dor apenas por instante
Num passo adiante eu te deixo pra trás

Esse teu jeito carente
É o teu mal
Agora prefiro até o sal
Ao teu beijo ardente

segunda-feira, 6 de maio de 2013

E quando sou o quanto de mim?

E estava eu a querer saber demais.
No mundo que orbita num simples segundo.
Esculpido em muito que sei.
Tingido em muito que não sei.

Visto que sou água. E sede.
Visto que sou fogo.  E frio.
Visto que sou irmão. E inimigo.
Visto que sou começo. E fim.

Onde hoje, logo será amanhã.
E importante, um dia foi ontem.
Onde lágrima, logo será riso.
E distante, um dia será passado.

Visto que sou raiva. E calma.
Visto que sou pó. E eterno.
Visto que sou homem. E animal.
Visto que sou mar. E montanha.

Onde coragem nasce do medo.

E imaginar que é a vida é sonho.
Onde sonho é mera ilusão.
E imaginar que este pode ser meu último suspiro.

Visto que sou alvo. E arma.

Visto que sou mistério. E tédio.
Visto que sou todos. E ninguém.
Visto que sou alma. E carne.

Onde tudo depende de quanto. Quando. Onde.
E hora sou uma coisa e, de repente, coisa nenhuma.
Onde para ser livre, tem de estar preso.
E para entender a felicidade, tem de ser triste.





domingo, 5 de maio de 2013

Pouco de Minas

E, então, as lembranças caem desse céu de milhões de estrelas das Minas Gerais.
A saudade vem no fim da última canção.
O sonho vem do olhar para essa imensidão que tenho agora.
Queria era saltar, sobretudo, nunca mais voltar.
E sonhar pelo olhar de outra imensidão.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Insônia

A insônia covarde dilacera os meus desejos mais profundos.
A minha boca em tua nuca.
As minhas mãos desvendando seu corpo com cuidado...devagar.
A minha pele na sua. Calor.
A chave. Entro por inteiro.
O teu suspiro é o único som que interessa.
Desperta. Borbulha. Transborda.
O meu instinto ainda é o teu fundo.
Fitar os teus olhos e mostrar-lhe que perdeu o controle.
Um beijo forte e sua última gota de força se esvai.
Suor. Entrega.
Te enlaço sem nenhuma chance de escapar.
Isso tudo de caso pensado.
Um pouco mais.
Apenas pra te ver bem de perto no momento mais denso.
Intenso. Seu corpo treme, quase sangra.
Te prendo até o fim. E um começo.
E cair em teu abraço, em teu cansaço calmo.
Te olhar mais uma vez. Plena.
Espero.
Aprecio e agradeço.
E selo com um pequeno beijo.
Longo e carinhoso.
Mas esqueço e lembro que a solidão da minha cama só me deixa em lembranças.
Contos. Histórias.
E um pensamento em você.