Hoje eu fiz um pedido, quase beirando a loucura.
Pedi aos céus um sofrimento.
Daqueles bem fortes e azedo.
Que venha para despedaçar o meu mundo.
Sentimento que traga um choro por simples acordar.
Arda os olhos com a luz do sol.
E se perde na escuridão da noite.
Que faca girar a mente ao deitar.
Não pregar os olhos por dias.
Sentir o coração pedindo pra parar.
Tremer o dedo no gatilho.
Fazer armadilhas para os próprios pés.
Querer apenas a presença do nada.
Chorar sem fim.
Qualquer sofrimento que seja forte.
Não quero as migalhas da dor.
Mas ela por inteiro, a mágoa de mim mesmo.
Venha que o meu peito está negro.
Quero voar na emboscada dessa vida.
E cair, esborrachar-me da pior maneira.
Perder qualquer lembrança da minha feição.
A morte tem de estar distante.
Desfrutar mais tempo da tristeza.
Almoçar a agonia.
Correr no submundo das ilusões.
Suar sangue e ficar imundo.
Quero ser o pior ser que for necessário.
Amarrar-me ao fogo.
Sim, essa prece é sincera.
Mas peço somente mais uma coisa.
Aqui não cabe mais nada.
Então, tire essa dor que já está e despeje tudo isso.
Aceito de bom grado.
Pois sofrer de amor é injusto e pesado.
E não se compara a qualquer desejo aqui esboçado.
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